quarta-feira, 2 de junho de 2010

Algumas dicas da Amarribo

A Amarribo (Associação de Amigos de Ribeirão Bonito) lançou um livrinho que fala de algumas ações úteis no sentido de se fiscalizar o poder público municipal. Vale lembrar que essa associação conseguiu, após muita luta, destituir do cargo um dos prefeitos da cidade acusados de corrupção. São sete aspectos bem pontuais que os autores apontam como evidências de corrupção na cidade:

-"histórico comprometedor da autoridade eleita e de seus auxiliares";
-"falta de transparência nos atos administrativos do governante";
-"ausência de controles administrativos e financeiros";
-"apoio de grupos suspeitos de práticas de crimes e irregularidades";
-"subserviência do Legislativo e dos Conselhos Municipais";
-"baixo nível de capacitação técnica dos colaboradores e ausência de treinamento de funcionários públicos";
-"alheamento da comunidade quanto ao processo orçamentário".

O livro da Amarribo, "O combate à corrupção nas prefeituras do Brasil", pode ser comprado pela livraria cultura (www.livrariacultura.com.br) por apenas 12,00 reais.

Os aspectos apontados acima devem ser aplicados a todos os municípios. Na próxima reunião do movimento, dia 26 de junho, às 19:30 hs. na Igreja Presbiteriana (r: àgua Marinha, 47 / Colina da Serra / Jacaré), poderemos discutir os aspectos acima em relação a nossa cidade. Contaremos também com uma palestra sobre as funções de vereadores, deputados, prefeitos, governadores, senadores e presidente da República. Por fim, elaboraremos, conjuntamente, o questionário que deverá se entregue aos vereadores, que será um dos nossos critérios de atribuição de pontuação ao trabalho deles. Compareça!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Miséria da política, política da miséria

(inspirado em uma aula da prof. J. M. Gagnebin sobre Paul Ricoeur; ela, evidentemente, não tem culpa de nada)

Parto de uma distinção filosófica entre existir e ser. Existir é algo ligado às necessidades de sobrevivência: alimentação, vestuário, abrigo, saneamento. Ser é algo mais profundo, humano, cultivado quando as necessidades da existência foram e são continuamente supridas. Feita a distinção, é possível afirmar: o desejo ético brota mais intensa e livremente quando há um desejo mais intenso por ser mais plenamente. Ser, não existir. Isso porque em condições de vida nas quais a luta pela existência se dá de forma imediata, como preocupação diária, sobra pouco tempo para o cultivo do ser. Os escravos gregos não estudavam filosofia...

Quando pensamos em Cabreúva, vemos que a maior parte da população (sobretudo a que habita o distrito do Jacaré) ainda se vê às voltas com a necessidade de garantir a existência. Sobra pouco tempo para o cultivo do ser, e, consequentemente, da preocupação com o desejo ético, o desejo por uma vida humana mais cultivada, mais profunda, com densidade espiritual. Daí abundar nos bairros mais pobres casos e mais casos de polícia, desavenças entre vizinhos, tráfico de drogas. Não há aqui nenhuma culpabilização dos pobres. Na mesma situação, qualquer pessoa de posse produziria realidades semelhantes.

E seria um grande equívoco reduzir a falta de desejo ético aos pobres. São muitos os que, mesmo tendo que lutar pela existência diária, mostram, não obstante, uma humanidade íntegra e ética. Mas o equívoco também se daria porque basta observar os ricos e os poderosos (os dois termos são (quase?) sinônimos) e perceberemos que também lhes falta desejo ético (claro, há exceções. Mas, como disse, são exceções). Por que isso acontece? Porque, nesse caso, estamos diante da miséria espiritual, do egoísmo, da vida que, ainda que tenha conseguido ultrapassar com mais folga as demandas necessárias à manutenção da existência, não se preocupa com o cultivo do ser.

Para uma mudança significativa em Cabreúva, urge que estruturas que garantam o cultivo do ser sejam criadas. Ninguém tem cabeça para pensar em coisas abstratas relativas ao ser quando as questões concretas da existência batem à porta: a demora para o exame, a dificuldade com o transporte, a falta de vagas na creche, a poeira que entra pela janela da casa...

Como seria bom ver em Cabreúva uma política mais nobre, mais incisiva na criação dessas estruturas, menos ligada a interesses de grupos. Como seria bem ver os cargos públicos ocupados na base do mérito e da capacidade técnica, e não da indicação política. Como seria bom ver debates sobre questões mais decisivas à vida da cidade na Câmara Municipal!

Não se pense que este artigo critica a atual gestão. Ele quer ser mais do que isso (mesmo porque reprova com igual veemência as táticas eleitorais do principal candidato da oposição). É uma crítica à forma geral de se fazer política, que não mudaria, em sua essência, com a mera mudança de nomes, ainda que a discussão ao redor dos nomes seja muito importante (e ainda que não se possa, sob risco de injustiça, dizer que todos os políticos cabreuvanos são iguais; há, como sabemos, políticos e políticos...). Ele quer chamar a todos a uma visão mais ampla, menos periférica; mais nobre, menos egoísta; mais ousada, menos conformada com as coisas tais como estão dadas.

Na atual situação, abunda a política da miséria, em que a força política é usada para pequenos favores à população que, em luta diária pela existência, não tem alternativa senão ir atrás desses favores (uma consulta, um exame, um transporte, uma cesta básica, o pagamento de uma conta de luz etc). Esse cenário favorece a miséria da política, pois esta é reduzida a ações de pouco alcance e, o principal e pior, não altera em absolutamente nada as condições estruturais atuais.

Conclamaria a todos os vereadores a um gesto de desejo ético: abram mão desses gestos assistencialistas, e usem todos os seus esforços para que uma mudança estrutural seja implementada. A todos que vierem pedir esses pequenos favores, digam que devem freqüentar as sessões da Câmara, que devem reivindicar, que devem se informar sobre partidos políticos, critérios de votação, projetos em tramitação. Não se deixem seduzir pela reeleição, porque ela virá se vocês optarem pela forma mais nobre e profunda de fazer política (e, se não vier, saibam que cumpriram com brio (e ética!) o seu papel).

Este artigo conclama a um pacto por Cabreúva. Ele não prega uma ingênua ação suprapartidária, em que os grupos políticos entrariam todos em uma utópica harmonia e todos pensariam da mesma forma, teriam a mesma prática e o mesmo discurso. Ele sabe que política é luta de interesses, é conflito, é jogo de (e principalmente pelo) poder. Mas sabe também que a realidade municipal pode melhorar, se a miséria da política e a política da miséria forem substituídas pela ética na política a partir de uma política da ética.

domingo, 9 de maio de 2010

Estamos nos mobilizando!




A última reunião foi uma proveitosa discussão sobre vários aspectos da política nacional e municipal. A Mayara trouxe uma reflexão inicial que despertou os participantes para um frutífero debate sobre formas de acompanhamento da política e sobre ações cotidianas que podem fazer diferença na forma de encarar as questões relacionadas à vida em sociedade. A ideia é fortalecer esse grupo e fazer reuniões mais frequentes. Vamos continuar participando!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Palestra e debate

No próximo dia 08/05, às 19:30hs, em parceria com a Igreja Presbiteriana de Cabreúva, o Movimento Voto Consciente realizará um encontro para discussão sobre política. Quem apresentará algumas considerações sobre o tema será a Mayara, que é estudante de Ciências Sociais na Unicamp. Será no ateliê do Thomas (r: Conselheiro Rodrigues Alves, 203, Centro, Cabreúva). Você está convidado, e intimado a convidar pelo menos mais um amigo. Até lá!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Próximo passo!

Gostaria de sugerir que vocês, voluntários do Movimento, e visitantes deste blog, sugerissem perguntas que poderíamos colocar no questionário que deverá ser enviado a cada um dos vereadores. Como dissemos em reuniões passadas, um dos nossos critérios de atribuição de pontuação aos vereadores serão as respostas que obtivermos nesse questionário. Procurem elaborar perguntas mais abrangentes, que sirvam igualmente a todos os edis, e não perguntas sobre aspectos particulares ou dirigidas a apenas um ou outro vereador. A primeira questão poderá ser: "como reza a lei orgânica do município, os vereadores são eleitos representantes da população para basicamente duas funções: fiscalizar o poder Executivo e propor leis municipais. Nesse sentido, quais medidas de fiscalização o nobre vereador já tomou desde o início do atual mandato?" Selecionaremos as perguntas que considerarmos adequadas. Você pode usar o espaço de comentários do blog ou o e-mail para enviar as questões. Participe!